Navegação no Rio Guaíba deverá ficar mais trabalhosa
Extração de areia poderá implicar em cuidados especiais para navegar em Porto Alegre

Más lembranças do convívio com as dragas no Rio Guaíba
Operação deve ter início no segundo semestre do ano

O recente anúncio de autorização pela FEPAM de extração de areia traz más lembranças aos navegadores veteranos do Rio Guaíba, em Porto Alegre: embarcações mal sinalizadas ou sem sinalização à noite, falta de cumprimento de regras de navegação, canal 16 do VHF obstruído com música, dentre outros inconvenientes, é o que se presenciava há mais de uma década, quando a extração de areia ocorria no rio.

Esse comentário não faz qualquer juízo sobre vantagens e desvantagens da dragagem no rio sob o aspecto ambiental ou econômico. Apenas estamos constatando uma realidade que presenciamos há alguns anos.

A idéia simplista de alguns navegadores do Rio Guaíba, de que a dragagem deveria ocorrer em áreas de baixa profundidade, favorecendo a navegação esportiva, é tolida pela seleção de áreas de dragagem visando a não contaminação do meio-ambiente. Ao que tudo indica, somente por coincidência a profundidade será aumentada em áreas de interesse da navegação de recreio.
[POPA]

Segue a matéria publicada pelo jornal Correio do Povo, em 17/03/15:

Após mais de uma década de impedimento, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitirá ainda neste mês a autorização para extração de areia em alguns pontos do Guaíba, em Porto Alegre. A medida foi anunciada nesta terça-feira pela secretária Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e presidente da fundação, Ana Pellini.

A autorização está em fase final, já que o último documento foi recebido há poucos dias. A liberação é válida para uma empresa, que não teve o nome revelado. Segundo a secretária, a medida só foi viável diante de vários estudos que indicavam a possibilidade da extração do minério sem dano ambiental. Além disso, não será toda a área do Guaíba em que poderá ser retirada areia, apenas em alguns pontos já identificados pela Fepam e pelos respectivos estudos. A expectativa é de que a operação comece no segundo semestre deste ano.

Ela recordou que havia uma desconfiança de que de haveria metais pesados depositados no Guaíba e, que no momento da dragagem, acabariam misturados à água e haveria uma contaminação geral. “Estudos descartaram essa situação, como as análises do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs, do Dmae e da Corsan. Assim, será licenciada a extração naqueles pontos em que há segurança de que não haverá nenhuma contaminação ou dano ambiental”, assegurou Ana.

Ana Pellini considera ainda que a extração será positiva, já que permitirá o desassoreamento do Guaíba, além da questão econômica, com as restrições no rio Jacuí e a necessidade do minério para a construção civil. A decisão deverá abrir precedentes para que outras empresas que tenham interesse na extração também busquem a autorização. A secretária reconheceu que há outros pedidos para uma possível operação no Guaíba. A medida também visa amenizar a pressão sobre as extrações de areia no Jacuí. “A região foi muito danificada. Acreditamos que apenas depois de uns três anos o Jacuí iria se recuperar. Por isso, mantemos o controle sobre as empresas que já atuam no local”, explicou a secretária.

O vice-diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs, Carlos André Bulhões, avalia que a areia é importante, em especial para a construção civil, porém, alertou para cuidados neste processo de extração. Isso porque a retirada do minério pode provocar impactos na composição do Guaíba, como as correntezas e suas direções.

Integrante da Organização Nãp-Governamental (ONG) Mar de Dentro Ambiente e Educação, Paulo Renato Moller Paradeda, recebeu com desconfiança a informação. A ONG ingressou na Justiça com uma ação, em 2011, para suspender a extração no Guaíba. “Vamos acompanhar o processo”, disse.

Histórico

Em junho de 2013, o então chefe da Casa Civil do Estado, Carlos Pestana, anunciou novas medidas do licenciamento ambiental para extração de areia no Rio Grande do Sul. Ficou estabelecido que a extração só seria permitida a uma distância de 50 metros das margens.

A assinatura do documento ocorreu depois que, em 24 de maio de 2013, a extração de areia no Rio Jacuí foi suspensa pela Vara Federal Ambiental, Agrária e Residual de Porto Alegre. Conforme a petição, estaria ocorrendo uma devastação ambiental, com a irreversível descaracterização do Rio Jacuí, resultando em graves prejuízos à fauna, à flora e à vida humana. A proibição levou as empresas que extraem a areia a recorrerem da decisão, pedindo a suspensão da medida.

Em 2010, por conta do ritmo acelerado do crescimento da construção civil – em decorrência das obras que integram o PAC e a Copa do Mundo de 2014 – a possibilidade da falta de areia causou preocupação para o então presidente da Sociedade dos Mineradores de Areia do Rio Jacuí (Smarja), Sandro de Almeida. Segundo ele, a solução era liberar a extração do minério, com rigor ambiental, no Guaíba. “”
Abraços e bns ventos

Fonte: Correio do Povo
Colaboração: Zilton Gomes da Silva
Imagem: Draga operando no Rio Jacuí (arquivo Popa)



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1 COMENTÁRIO

  1. não vejo mal algum afinal…o que tem prejudicado o meio ambiente, e causado Sério desequilibrio Ecológico, e por que não dizer”O planeta”?tirando,”a poluição das agua, e o desmatamento” não vejo nem uma outra rasão de por que não retirar a areia do Guaiba. e tambem trabalhar um pouco mais na educação, principalmente dos filhos, não adianta ”hipocritamente” pensarmos,”Que mundo vamos deixar para nosso filhos”?eu pergunto, ”Que filhos nós estamos criando e educando para deixar neste mundo”? uma vez que,vivemos uma caus na area dos verdadeiros valores, e oque deve sim ser valorizado e respeito uma vez que o próprio ser humano esta acabando com a própria vida, vida é, ”flora e a fauna”, a saúde do nosso Planeta é,”a nossa vida e saúde”. vamos tirar areia bora trabalhar e gerar emprego, e pão na mesa dos menos favorecidos. bom dia.

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